Ana Dias- (Distrito)



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Por volta de 1905, havia um pequeno povoado, incrustado entre as montanhas, com espaço (espécie de vale) que se iniciava na região montanhosa que da acesso ao Vale do Ribeira e chegava ao mar, onde tinha já uma pequena vila de caiçaras que hoje é Peruíbe.

 

Nessa época, um comerciante de São Vicente, proprietário de um armazém de “secos e molhados” (como era conhecido na época) montou também um armazém na já prospera cidade de Itanhaém. Suas mercadorias chegavam a Itanhaém de barco e a partir daí, para redistribuição seguia “a lombo de burro”.

 

Uma filha desse comerciante de nome Ana Dias, trabalhava como “caixeira viajante” e trazia as mercadorias, nos burros de carga, até Peruíbe. Foi aí, que esta caixeira viajante, de nome Ana Dias, conheceu um português que vinha muito nesta pequena vila, para extrair caixeta, madeira muito usada para fazer tamancos e levava-as até Itanhaém e posteriormente através de barco, para Santos. E este português a aconselhou que viesse oferecer suas mercadorias aos moradores locais. Bastava sair de Itanhaém com os animais carregados de mercadorias (um deles sempre usado para montaria) e seguir em direção a Peruíbe, passando pela mata, sempre à beira mar, e após Peruíbe, por picadas abertas na mata, até a vila mais próxima onde já existia mais ou menos 50 famílias.

 

Nessa época, o que mais vendia, além de roupas, ferramentas para uso na lavoura, sal, também era vendido muita munição para caça, como pólvora, chumbo e espoleta.

 

Nessa vila vivia também um pequeno comerciante, também de “secos e molhados”, de nome Carlos Gonçalves, cujo prédio era uma casa de madeira, onde hoje existe um sobrado, a beira do campo de futebol."Secos e Molhados"A partir daí, Carlos Gonçalves passou a comprar as mercadorias da “caixeira viajante” Ana Dias.

 

O tempo foi passando e surgiu a construção da Estrada de Ferro pela Southern São Paulo Railway, que se iniciava na cidade de Santos e com projeto de chegar até Juquiá.

 

Bem antes da chegada da ferrovia em Ana Dias, o comerciante Carlos Gonçalves ficou preocupado porque suas mercadorias já não estavam chegando e que a “caixeira viajante” Ana Dias já não aparecia mais, isso depois de longos anos sem falhar. Depois de muito tempo ficou sabendo que ela havia falecido.

 

EstaçãoA Southern São Paulo Railway, chegava já nesta vila, com a estação pronta em 1914, a direção da ferrovia optou por colocar um nome na Estação, após uma consulta com os moradores do local e por sugestão de Carlos Gonçalves, e aprovada por unanimidade, foi a Estação Ferroviária nomeada como Ana Dias e por consequência a própria vila passou também a ser chamada de Vila Ana Dias.

 

Esse dados foram fornecidos a Antonio Kanashiro morador de Ana Dias, por Benedito Cardoso, um dos moradores mais antigos de Ana Dias, já falecido a algum tempo, que era “barbeiro” e conhecido como “Dito Peteca”.

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